quarta-feira, 22 de agosto de 2007

JOSÉ

E agora, José? A festa acabou,a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, Você? Você que é sem nome, que zombados outros, Você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou, e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? E agora, José? sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio, e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse, a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse.... Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuroqual, bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja do galope, você marcha, José! José, para onde?

(Carlos Drummond de Andrade)

2 comentários:

default disse...

Adoro esse texto!

Atualizar blog agora é TENDÊNCIA! hahaha

Bjs!

Leo El Hireche disse...

hahahahaha neh.
o nome disso é ocupação tah?
sem time pra nada gata..agora to tendo de sobra..e não tô gostando..rs

Volte sempre viu?
beijos